Por que as empresas perdem bons desenvolvedores?

A “implantação” do sistema neoliberal no Brasil (e em outros lugares do mundo) contribuiu para o aumento da competitividade entre as empresas e também entre os profissionais. A busca por uma melhor qualificação profissional se tornou constante, devido ao fato de que as empresas passaram a exigir profissionais com alto nível de conhecimento técnico e a concorrência cada vez mais acirrada.

Não é preciso ter muito conhecimento de economia ou política para se perceber que o capitalismo é um sistema que não tem como objetivo favorecer o trabalhador. Com todos os problemas do mundo, muitas pessoas se sujeitam a péssimas condições de trabalho para garantir o sustento de suas famílias.

O desenvolvimento de software é uma tarefa criativa que exige profissionais com alto grau de conhecimento técnico. Não é uma tarefa braçal, isso quer dizer que o desenvolvedor tem seu capital intelectual como instrumento de trabalho.
Devido a tamanha complexidade das tarefas, é muito difícil encontrar bons profissionais (desenvolvedores, programadores, analistas, engenheiros etc) comparado a outras áreas profissionais em que o mercado já possui certa saturação de mão de obra.
Isso faz com que o profissional de tecnologia da informação seja um pouco menos desvalorizado.

Algumas empresas (principalmente as pequenas) sofrem grande impacto quando um bom desenvolvedor recebe uma boa proposta de trabalho e troca de emprego (já presenciei essa situação algumas vezes). Para minimizar esse problema as empresas estão investindo (não que elas sejam legais, o problema é o custo gerado).

Fiz uma pequena lista com os principais motivos (ao meu ver) que levam um desenvolvedor a mudar de trabalho:

- Salário
O motivo mais óbvio e comum. Quando uma outra empresa oferece salário mais alto, é improvável que o profissional recuse a proposta, caso a empresa atual não ofereça uma boa contra proposta.
É incrível como as empresas “tem mania” de achar que conseguem realizar um trabalho de qualidade contratando apenas estagiários (para pagar menos).

- Desafios
Um programador vive de desafios (não confunda com “buxas”). Passar o mês inteiro fazendo formulários não é tarefa que motive a maioria dos desenvolvedores web. Se o profissional não sentir que seu trabalho é “diferente”, é útil, é legal ele não vai se sentir motivado a continuar.
Existe grande diferença em trabalhar “estilo produção” fazendo meia dúzia de “sitesinhus” por mês e cuidar de uma aplicação de alta disponibilidade com milhares de acessos por hora.
Cabe a empresa proporcionar novos desafios a sua equipe (pois em outras empresas existem vários).

- Tecnologia
Um fator interessante, que muitas vezes as empresas não enxergam, é a tecnologia utilizada para desenvolvimento. Se o programador apoia o software livre, ele não vai gostar (vai odiar) programar em .NET por exemplo, assim como um desenvolvedor Rails não gosta muito de Java por exemplo.

- Equipe e chefe
Ponto crucial que pode levar o profissional até a se demitir da empresa. Um bom desenvolvedor não gosta de trabalhar com desenvolvedores medíocres, ele quer trabalhar ao lado de outros bons profissionais.
Também não suporta a idéia do chefe mala que faz pressão, não ajuda e só “passa buxa”.
Esse problema se agrava, quando o desenvolvedor é contratado como estagiário a certo tempo e já adquiriu certa experiência que o faz não depender do emprego para aprender mais.

- Ambiente de trabalho
Outro fator fundamental é o ambiente, o local de trabalho precisa ser bom, ter ar condicionado, ter comida a disposição, cadeira confortável, o mais importante um PC (ou MAC) de qualidade.
O calor irrita e tira a concentração, isso faz com que a produtividade diminua.
Como diria o velho ditado “saco vazio não para em pé”, a empresa tem que fornecer comida como bolachas, frutas, suco, etc. Comida fornece energia para o programador ser mais produtivo.
Talvez o que mais faça um programador ficar irritado, é quando o computador é lento, quando demora “meia hora” para compilar o software ou carregar a IDE.

- Flexibilidade de horários
Algumas empresas insistem em achar que desenvolver software é como fabricar uma peça ou montar um carro. Desenvolver software NÃO É PRODUÇÃO!
Não adianta fazer com que seu colaborador “bata cartão” as 8h da manha em ponto e não saia antes das 18h. Estamos lidando com humanos e não com máquinas, o dia que a pessoa está com problemas ou não está motivada, a baixa na produtividade é inevitável.
O colaborador não deve se sentir em uma prisão, em que não pode ir 5min no “bar da esquina” comprar um refrigerente.


Comentários
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